
A mulher invisível!
Olha, tem dias em que eu realmente gostaria de não ser notada. Dias que não estou sociável, que não quero conversar muito (é raro, mas acontece)... Mas quando isso implica ser atropelada por sacolas, pessoas e o que estiver em movimento em shopping lotado na véspera do Natal, aí eu passo. Muito obrigada. Prefiro que me vejam.
Mas é justamente aí que seus poderes são ativados. Ninguém te vê!
Eu não sei o que acontece com o mundo em Dezembro. Se sai de casa armado com carteira e lista dos presentes e deixa em casa a educação, os modos, a gentileza... Ir às compras vira um show de horrores. Pra não dizer uma guerra.
Já tinha até desejado “Feliz Natal”, “Viva-2010-beijo-me-liga” aqui no blog, mas assim não dá. Preciso desopilar! Só mais um pouquinho. Dezembro foi muito pra minha cabeça e confesso que marquei bobeira. Fui deixando, sabe? Aí a cada hora descobria que falta um troço fundamental para a minha ceia e tinha que sair à caça. E virginiano dando festa é um capítulo a parte.
Se a auto-crítica já é elevada, quando a celebração é na casa da gente (por mini que seja), tem que beirar à perfeição (anos de análise já me eliminaram a necessidade de perfeição absoluta, mas...).
Então descobri que meu faqueiro (como estou boa comigo hoje chamando meus “talheres-ao-léu” de faqueiro) não servia o número de convidados, além de não combinar com a nova toalha. Shopping, lá vou eu!
Fiz uma reta até a loja e entrei. Focada (ou quase). Isso eu achava até ver a quantidade de opções, formatos, tamanhos, materiais e cores (pior parte) que o estabelecimento oferecia. Ok. Respirei. Imaginando a ceia...Ommmmm... Tá. Já parei. Primeiro encontrão do dia: uma senhora montada num conjunto de panelas carregou meu cotovelo direito. E nem um “me desculpe”.
Tentando reconcentrar... Lembrei a cor da minha toalha de jantar... Operação iniciada: casando cor da toalha com as cores dos talheres que estava mais gostando no momento. Segundo encontrão: um pai arrasta uma criança que limpa com a roupinha o chão da loja abraçada num balde de gelo que parece o brinquedo mais indispensável do planeta.
Já esqueci se tinha toalha em casa a esta altura.
O que eu estava escolhendo mesmo? Ah, talheres.
Melhor comprar outra toalha, né? Assim poderia visualizar o conjunto melhor.
E lá vamos: toalha nova e três outras opções de faqueiro.
Pára tudo: berros! Uma mãe com um bebê num carrinho que parece ter comido pela última vez há duas semanas pelo volume do choro. Olho para ver se ela percebeu que assim não poderíamos ficar. Nem eu, nem ela, nem a pobre criança.
Quando apertaram finalmente o botão off da criancinha, volto ao objetivo (ou estaca zero, que dá no mesmo) ... Quê? Havia uma caixa com seis copos coloridos na minha mão. “Quando foi que eu peguei isso, meu Deus? Cadê os conjuntos de talheres que eu tinha separado?”, me perguntei diante daquela mágica. Ao meu lado, para minha (outra) surpresa, duas moças decidiam quais dos itens que eu escolhi levariam para a casa delas. Surreal!
Numa péssima (porque o “numa boa” se perdeu no estacionamento do shopping), eu não existia na cena!
Só queria comprar talheres. Fiquei com o cotovelo roxo, tomei encontrão até de homem (onde vamos parar?), levaram três faqueiros que eu segurava, comprei uma segunda toalha que eu não precisava e copos se materializaram na minha mão.
Resolução de fim de ano: o meu Natal de 2010 será em Novembro. Decido!
Vou passar email hoje para a família avisando.
E agora que estou levinha depois do desabafo, fica o meu desejo de que os nossos próximos 12 meses sejam – no mínimo – maravilhosos! A gente merece!
Beijos







